Creio no Espírito Santo!

Espírito Santo

Hoje, a Igreja comemora o dia de Pentecostes, palavra que vem do grego e significa “o quinquagésimo” (dia depois da Páscoa), quando encerramos o tempo pascal. Originalmente era uma festa em que Israel celebrava a aliança com Deus no Sinai. Por causa do acontecimento pentecostal em Jerusalém, tornou-se para os cristãos a festa do Espírito Santo.

Ele é o “Paráclito”, como diz Jesus aos discípulos no Evangelho, quando se refere ao Espírito Santo, o que significa consolador, defensor, “o Consolador que estará convosco para sempre”, define Jesus.

 

O que significa “crer no Espírito Santo”?

Crer no Espírito Santo significa adorá-lo do mesmo modo que o Pai e o Filho. Significa crer que o Espírito Santo vem ao nosso coração para, como filhos de Deus, conhecermos o Pai do Céu. Movidos pelo Espírito Santo de Deus, podemos mudar a face da Terra.

Antes da Sua morte, Jesus prometera aos discípulos dar-lhes um outro advogado (Jo 14,16) quando não estivesse mais cm eles. Quando, então, o Espírito de Deus foi derramado sobre os discípulos da Igreja primitiva, eles compreenderam a que Se tinha referido Jesus. Eles fizeram a experiência de uma profunda segurança e alegria na fé, e obtiveram determinados Carismas, como profetizar, curar e realizar milagres. Até hoje tem havido pessoas na Igreja que possuem tais dons e fazem essas experiências.

Carismas

Do grego charis, significa dom, graça, benefício, encanto. São os dons gratuitos do Espírito Santo, tal como são descritos, por exemplo, em 1Cor 12, 8-10: a sabedoria, o conhecimento, a força da fé, o dom da cura, o poder de exercer milagres, a profecia, o dom das línguas e o dom de as interpretar, e etc. Aqui também estão incluídos os dons infusos e efusos do Espírito Santo. São portanto, dons especiais para a direção, a administração, o amor ao próximo e o anúncio da fé.

 

Que papel desempenha o Espírito Santo na vida de Jesus?

Sem o Espírito Santo não Se pode entender Jesus. É sobretudo na vida de Jesus que de revela a presença do Espírito de Deus, que designamos por Espírito Santo.

Foi o Espírito Santo que chamou Jesus à vida terrena no ventre da Virgem Maria (Mt 1,18), que O atestou como Filho amado ( Lc 3,22), O conduziu (Mc 1,12) e O vivificou até o fim (Jo 19,30): na cruz Jesus expirou-O. Após a Sua ressurreição, Jesus doou aos Seus discípulos o Espírito Santo (Jo 20,22). Foi assim que o Espírito de Jesus transbordou para a Sua Igreja: “Assim como o Pai Me enviou, também eu vos envio a vós.” (Jo 20,21).  

 

Sob que nomes e sinais aparece o Espírito Santo?

O Espírito Santo vem sobre Jesus na forma de uma pomba. Os primeiros cristãos experienciam o Espírito Santo como uma unção curadora, uma água viva, uma tempestade ruidosa ou um fogo ardente. O próprio Jesus designa-O por advogado, consolador, mestre e Espírito da Verdade. O Espírito Santo é dado nos sacramentos da Igreja, mediante a imposição das mãos e a unção com azeite.

A paz que Deus fez com a humanidade, depois do dilúvio, foi anunciada a Noé por uma pomba. A Antiguidade pagã também a conheceu como metáfora do amor. Por tal razão, os primeiros cristãos compreenderam imediatamente por que motivo o Espírito Santo, o amor de Deus feito pessoa, sobreveio a Jesus como uma pomba, quando Ele se deixou batizar no Jordão. Hoje, a pomba é o sinal da paz mundialmente reconhecido e um dos maiores símbolos da reconciliação do seu humano com Deus (cf. Gn 8,10 ss.).

 

Portanto, quem pede: “Vem Espírito Santo!”, tem de estar preparado para dizer: “Vem e incomoda-me onde tenho de ser incomodado!” – Wilhelm Stählin (1883-1975, teólogo)

 

O que aconteceu no dia de Pentecostes?

Cinquenta dias após a ressurreição, o Senhor enviou do Céu o Espírito Santo sobre os Seus discípulos. Começou, então, o tempo da Igreja.

No dia de Pentecostes, o Espírito Santo fez, de medrosos Apóstolos, corajosas testemunhas de Cristo. Num curtíssimo espaço de tempo fizeram-se batizar milhares de pessoas. Era o nascimento da Igreja! O milagre pentecostal das línguas revela que a Igreja, desde o princípio, está aberta a todos, é “universal” (palavra latina que traduz o termo “católico”, de origem grega) e, por conseguinte, missionária. Ela dirige-se a todas as pessoas, supera fronteiras étnicas e linguísticas, e pode ser entendida por todos. Até hoje, o Espírito Santo tem sido o “elixir vital” da Igreja. 

 

O que faz o Espírito Santo na Igreja?

O Espírito Santo edifica a Igreja, impele-a e recorda-lhe a sua missão. Chama homens e mulheres para o serviço dela, concedendo-lhes os dons necessários. Introduz-nos cada vez mais profundamente na comunhão com o Deus trino.

Mesmo quando a Igreja, na sua longa história, pareceu ter sido “abandonada por todos os bons espíritos”, o Espírito Santo, apesar de todos os erros e deficiências, permaneceu ativo nela. Os seus parcos 2000 mil anos de existência, com os muitos santos de todas as épocas e culturas, são um testemunho visível da Sua presença. É o Espírito Santo que mantém a Igreja, como um todo, na Verdade e a introduz cada vez mais profundamente no conhecimento de Deus. É o Espírito Santo que age nos Sacramentos e faz com que a Sagrada Escritura se torne viva para nós. Presenteia ainda hoje, com os Seus dons gratuitos (carismas), as pessoas que se abrem totalmente a Ele.

 

O que faz o Espírito Santo na minha vida?

O Espírito Santo abre-me a Deus, ensina-me a rezar e ajuda-me a estar disponível para os outros. “O silencioso hóspede da nossa alma” – assim chama Santo Agostinho ao Espírito Santo. Quem o quer sentir tem de fazer silêncio. Muito frequentemente, este hóspede fala baixinho em nós e conosco, porventura pela voz da nossa consciência ou através de impulsos interiores ou exteriores. Ser “templo do Espírito Santo” significa estar de corpo e alma disponível para este hóspede, para Deus em nós.

Portanto, o nosso corpo é, em certa medida, a sala de estar de Deus. Quanto mais nos abrimos, dentro de nós, ao Espírito Santo, tanto mais Ele Se torna o mestre da nossa vida, tanto mais Ele nos concede os Seus carismas, também hoje, para edificação da Igreja. Desta forma, crescem em nós, ao invés das “obras da carne”, os “frutos do Espírito”.

Frutos do Espírito

São apresentados em Gálatas 5,22: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança.

Obras da carne

São enumeradas em Gálatas 5,19-21: luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdia, ira, rivalidade, dissenções, facciosismos, invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas.

Fonte: YouCat – O Catecismo da Igreja Católica para os Jovens