Jubileu da Misericórdia: Significado, Origem e Valor

Jubileu da Misericórdia

Este artigo traz os apontamentos a respeito do Jubileu da Misericórdia, feitos pela Irmã Alba Vernazza, das Filhas de Maria Auxiliadora (em latim Filiae Mariae Auxiliatricis; FMA), de Gênova, Itália, e traduzido pela Irmã Rosa M. Valente. A congregação religiosa FMA foi fundada por São João Bosco, e co-fundada por Santa Maria Mazzarello, sendo um ramo feminino da família salesiana.  
Por meio deste, vamos aprender o significado, a importância, e toda a história por trás dessa maravilhosa tradição na Igreja Católica.

 

O que é o Jubileu?

 Na tradição católica o Jubileu é um grande evento religioso de nível planetário, significativo e envolvente. Jubileu recorda, por ressonância, o substantivo júbilo e fala de uma alegria incontida não só interior, mas visível, audível, tangível exteriormente. É também chamado de Ano Santo, porque a santidade é a característica essencial de Deus, por isso cada cristão, sendo Filho de Deus, carrega no seu DNA a santidade, e Deus exorta o povo eleito: “Sede santos porque Eu sou Santo!”.
Portanto é verdadeiramente um acontecimento profundo: o júbilo é a manifestação espontânea resultante do Jubileu. Talvez, nem todo mundo sabe que a palavra jubileu deriva do hebraico jobel, que é um antigo instrumento de sopro feito de chifre de carneiro (em português é conhecido como “shofar”). Aqui começa a tradição do Jubileu.

Ouça o som peculiar desse instrumento profético:

Papa Francisco nos recorda o verdadeiro significado de Misericórdia:

“(…) Misericórdia: é a palavra que revela o Mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo com o qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que habita no coração de cada pessoa, quando olha com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque abre o coração à esperança de ser amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.” – Papa Francisco, Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia) 

Segundo a lei de Moisés, a cada sete anos se celebrava o ano sabático, durante o qual se deixava repousar a terra, e eram libertos os escravos: era também previsto o perdão das dívidas, e tudo isso devia ser feito para a glória de Deus. A cada 50 anos, pois, acontecia o ano jubilar, que retomava e ampliava todos os costumes do ano sabático, este período especial era anunciado ao som próprio do jobel.

LEVÍTICO 25, 8-10: “Contarás sete anos sabáticos, sete vezes sete anos, cuja duração fará um período de quarenta e nove anos. Tocarás então a trombeta no décimo dia do sétimo mês: tocareis a trombeta no dia das Expiações em toda a vossa terra. Santificareis o quinquagésimo ano e publicareis a liberdade na terra para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para as suas terras e para a sua família.”

Eis o aspecto mais peculiar e significativo do Jubileu: a liberação da terra e dos escravos. O resgate da escravidão material se realiza, primeiramente, em âmbito espiritual e moral com a libertação do pecado, do mal e da morte, para depois repercutir, concretamente, em todas as nossas relações.

A forma de Jubileu que vive a Igreja hoje, teve início por obra do Papa Bonifácio VIII, que em 22 de fevereiro de 1300, com a Bula Antiquorum habet fida relatio , proclamou o primeiro Ano Santo Jubilar da história, que se efetuava a cada 100 anos. Os peregrinos que visitassem, com sincero espírito de penitência e conversão, as Basílicas dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, teriam lucrado a indulgência plenária. 

Porta Santa - Jubileu da Misericórdia

Porta Santa da Basílica de São João de Latrão, localizada na Praça Giovanni Paolo II, em Roma.

Foi Clemente V que fixou o Ano Jubilar de 50 em 50 anos, acrescentando à visita das duas Basílicas, e também, aquela de São João de LatrãoPapa Martinho V, proclamando o Ano Santo para o ano de 1425, introduziu a novidade da abertura da Porta Santa, agora, na Basílica de São João de Latrão. E com uma Bula de 1470, Papa Paulo II estabeleceu que o Jubileu seria celebrado a cada 25 anos.

Até 2015, foram celebrados em continuidade (com pouquíssimas exceções causadas por complexas situações políticas) mais de 26 Jubileus ordinários, isto é, com prazos pré-estabelecidos, diferentes daqueles organizados por algum evento extraordinário ou tema particular, que é o caso do nosso “Jubileu Extraordinário da Misericórdia”.